quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Última batalha



Por Elói

Travaste tua última batalha,

Solitário mas não sozinho.

Estávamos contigo mesmo sem estarmos junto a ti.

Quão efêmera tua vida!

Quão injusta tua partida!

Em nossa luta permanecerão teus sonhos.

Como se fora uma estrela cadente tua breve e brilhante luz jamais será

esquecida.

Hoje a floresta silenciou para escutar o uirapuru lamentar a morte de

um guerreiro.

Adeus, mano!

Adeus, Manoelzinho!

Manoelzinho, você sempre estará presente!!!

Perdemos recentemente o jovem camarada, militante da APS do Pará, Manoel Amaral. Militante da frente de juventude no início dos anos 90, Manoelzinho foi de uma geração de jovens aguerridos militantes da Força Socialista que conquistaram com muita luta a meia-passagem sem burocracia em Belém. Atuou no movimento secundarista e universitário, foi da coordenação de várias campanhas eleitorais, entre elas as da conquista de dois mandatos do companheiro Edmilson Rodrigues para a prefeitura de Belém, em 1996 e 2000. Nos últimos anos, como Assessor Sindical do SINTEPP, participou de campanhas salariais vitoriosas e de eleições para direção do sindicato que garantiram sua combatividade e manutenção ao lado da luta da INTERSINDICAL. Membro da assessoria parlamentar do senador José Nery (PSOL-PA), Manoelzinho era licenciado em História pela UFPA e membro da direção municipal do PSOL de Belém. Manoel Amaral deixa esposa e filhos. Deixa em nossa memória um exemplo de vida dedicada à luta pelo socialismo. Manoelzinho, você sempre ficará em nossa memória. Na memória da Resistência Cabana. Lutador eterno dos 509 anos de resistência!!

PSOL da Bahia faz II Congresso Vitorioso

Em clima de muita combatividade e espírito de unidade, o PSOL da Bahia fez o seu II Congresso Estadual, com abertura ao som do Hino ao Dois de Julho e da Internacional. Foram eleitos nas plenárias de base 111 delegados e delegadas de 34 municípios, de todas as regiões do estado e da maioria dos maiores municípios do estado, como Barreiras, Camaçari, Feira de Santana, Ilhéus, Itabuna, Jequié, Lauro de Freitas, Salvador, Santo Antonio de Jesus e Vitória da Conquista.

O Encontro debateu as teses, elegeu delegados ao congresso nacional e aprovou resolução estadual. Escolheu também os novos Diretório, Executiva, Comissão de Ética e Conselho Fiscal.

509 anos de Resistência Indígena, negra, e popular

A tese aprovada, com significativa maioria dos votos, foi a “Consolidar o PSOL como alternativa socialista na Bahia da Resistência Indígena, Negra e Popular”. Esta foi fruto de uma unificação entre as teses defendidas pela Ação Popular Socialista (APS) e a Resistência Socialista (RS), também apoiada pelo Coletivo Horizonte Vermelho (HV).
Fazendo críticas consistentes aos governos federal e estadual, a tese também reafirmou o combate ao carlismo na Bahia, tanto na sua principal representação atual, o DEMO, como a impregnação do mesmo nas práticas das mais diversas forças políticas do estado.


A tese é dedicada a Carlos Marighella, nos 40 anos do seu assassinato, aos 113 anos de Canudos, aos 186 anos em que o Sol raiou no 2 de Julho, aos 211 anos da Revolução dos Búzios e aos 454 anos da Guerra dos Aimorés. Enfim, aos 509 anos de Resistência Indígena, Negra e Popular!

Governo Wagner tem vergonha do povo baiano

A resolução aprovada afirma que o “governo Wagner tem vergonha do povo baiano” pois “para receber o presidente de Cuba, Raul Castro, o governador do PT resolveu fazer um “faxina étnica” no Pelourinho. No dia da visita, o governador Jaques Wagner mandou afastar da área os ambulantes, trançadeiras, mendigos e prostitutas. Montou um forte aparato policial e mandou varrer e lavar as ruas. Querendo esconder a pobreza do visitante de um país onde as ruas são sempre limpas e não existem mendigos, mostrou a essência de um governo que tem vergonha do povo baiano. O mesmo governo que recebeu Condolezza Rice, emissária do sanguinário Bush, com pompas de rainha e que continua entregando nossas riquezas para o grande capital internacional. Um governo que tem a cabeça colonizada, para quem os movimentos sociais e o povo pobre e negro são um problema que deve ser limpado”.

Afirma também que “O 2º Congresso Estadual e Nacional do nosso partido se realiza em tempos de crise econômica mundial e dos desafios que este novo cenário coloca para a esquerda mundial e, em especial, para os socialistas brasileiros e baianos.


É preciso afirmar que estamos diante de uma crise estrutural do regime do capital e de onde se deduz que as condições para a humanidade reproduzir sua existência nos marcos da sociedade capitalista tornam-se cada vez mais limitadas. A crise econômico-financeira é uma manifestação da crise estrutural que associa dimensões outras como a ambiental, social, alimentar e energética, por exemplo”.

Novo diretório do PSOL é mais representativo e consistente, e vai consolidar o partido no estado

A chapa de delegados ao congresso nacional, encabeçada por Hilton Coelho, da APS, e também formada pela militância da RS, obteve a maioria dos votos elegendo 10 dos 18 delegados, ficando 7 delegados do MES e 1 independente.

Para o diretório, a mesma composição também obteve significativa maioria, reelegendo Marcos Mendes como presidente e Hilton Coelho como 1º vice-presidente.
Para a nova Secretária de Formação Política estadual, Zilmar Alverita, a realização de reuniões de cinco setoriais durante o Congresso, mostrou “a força que o partido está construindo, o potencial de crescimento nos movimentos sociais, a vontade da militância de fortalecer o debate e a formação política e a importância crescente da presença das mulheres”.

Não foi por acaso, portanto, que uma das tarefas mais importantes do partido na Bahia será avançar “em intervenções conjuntas nas diversas lutas que vem se desenvolvendo na Bahia: racial, ambiental, sindical, por moradia, feminista, por reforma agrária e urbana, contra as disparidades regionais, em defesa do rio São Francisco, etc. Precisamos ter uma atuação cotidiana nos movimentos sociais, sem sermos sectários e esquerdistas, mas também sem deixar de mostrar que estamos na luta para mudar verdadeiramente a realidade e que isso não ocorre sem combatividade e coerência [...] Para superarmos isto e cumprirmos nossos objetivos, devemos ter fóruns funcionando com regularidade e com pautas políticas e não só burocráticas. Devemos também organizar os setoriais do partido: juventude, mulheres, racial, sindical, GLBTT’s, ambientalistas, movimentos populares, etc.”

Hilton Coelho destaca fortalecimento do PSOL na Bahia

Para Hilton, “o resultado do congresso reflete um amadurecimento político do partido na Bahia e demonstra a grande possibilidade que temos de crescer na capital e em todas as regiões do estado. Mas crescer de modo consistente, politizado, fazendo formação política e botando os núcleos para funcionar regularmente. Crescer construindo um projeto para a Bahia da Resistência Indígena, Negra, Feminista e Popular”.

Hilton destacou alguns pontos da resolução, como o que diz que “Em termos estaduais, a crise atingiu principalmente o setor industrial, mostrando a sua dependência em relação à exportação (que teve grande queda desde o último trimestre de 2008) e atingindo não somente as indústrias de Salvador e da sua Região Metropolitana, mas também aquelas localizadas no interior, como o pólo calçadista e o pólo de informática (Ilhéus). Tudo isto mostra também, que a política industrial criada pelo carlismo e mantida pelo governo do PT só serve para dar lucros a grandes empresas, mas não dá conta de um verdadeiro desenvolvimento econômico e social da Bahia.Enquanto isso, os compromissos do Governo Wagner com os bancos e as empreiteiras continuam intocados. A dívida pública continuará drenando grande parte dos recursos do Estado, um total de R$ 1,6 bi. Mas, enquanto falta verba para saúde e educação, o governo do PT dobrou o seu orçamento em propaganda, indo para R$ 139 milhões.


Porém, muito antes da crise, o Governo Wagner já tinha mostrado pra que veio: servir o grande capital. Todos os grandes projetos do governo são vinculados aos seus interesses e tem causado diversas mobilizações por conta do seu alto custo social e ambiental”.


Para Hilton, agora o partido vai ter melhores condições de ampliar sua presença nos movimentos sociais e, nas eleições de 2010, também obter uma importante vitória política como nas eleições de 2008 em Salvador, assim como inaugurar a presença do partido na Assembléia Legislativa e na Bancada Federal da Bahia.

Congresso ressalta vitória política da campanha de Hilton 50 em 2008 e a Frente de Esquerda de Verdade

O Congresso aprovou também que “Saímos das eleições como uma força política respeitada por nossa coerência e combatividade em Salvador, mas também apresentamos bons resultados políticos em diversos municípios nas várias regiões do interior da Bahia. Especialmente na campanha de Hilton Coelho para prefeito de Salvador, mostramos que é possível fazer uma campanha eleitoral fazendo uma oposição programática de esquerda, com propostas concretas e polarizando política e ideologicamente, partindo da história de resistência política e cultural de nosso povo. Por tudo isto, mostramos a força da Capital da Resistência e a candidatura de Hilton obteve um dos melhores resultados do PSOL nas capitais brasileiras. Foi importante também por reafirmar a Frente de Esquerda com o PSTU e PCB, iniciada em 2006”.

Heloísa Helena para presidente em 2010 e reconstrução do movimento sindical

Entre as questões nacionais, duas resoluções se destacaram. O Congresso Estadual aprovou uma resolução ressaltando a liderança política de Heloisa Helena e indicando que o Congresso Nacional deve lançar a sua candidatura à presidência da República desde já.

Por outro lado, definiu que “Entre nossas tarefas organizativas mais imediatas está o debate e a luta pela reorganização do movimento social e, especialmente, pela construção de uma nova central sindical, que tenha como base a INTERSINDICAL, a Conlutas e todas as organizações sindicais e sindicalistas que são lutadores e querem construir uma central sindical combativa, independente dos governos, patrões e partidos.

É preciso reforçar organização interna e as finanças partidárias

A resolução aprovada reconhece que “Carecemos de melhor funcionamento das instâncias partidárias, sejam órgãos de direção ou fóruns de debate e decisão. A relação entre a Direção Estadual e os municípios ainda é muito frágil. Nos falta atividades de formação política e uma comunicação mais eficaz. Não temos uma política organizada de filiação”.

É neste sentido que o novo Tesoureiro Estadual do PSOL, Rafael Digal, destaca a decisão do Congresso de “melhorar nossa estrutura material e a capacidade de arrecadação financeira para garantir estas atividades, poder fazer melhor acompanhamento ao interior do estado e, além de manter nossa sede, aparelhá-la para melhor para cumprir nossos desafios políticos”.

Parlamentares são submissos, brigam por bobagem e se unem para aprovar privilégios

A resolução aprovada afirma também que “Temos uma assembléia legislativa totalmente submissa às iniciativas do executivo, onde não há uma verdadeira oposição. Os deputados do DEMo, e seus aliados, se dedicam a futricas e brigas secundárias. Por outro lado, quando se trata de votar privilégios para eles próprios, os deputados de todos os partidos (seja, PT, Demo, PSDB, PCdoB ou PSDB e seus satélites) sempre ficam, unidos, votando por unanimidade.

O mesmo tipo de prática se repete nas prefeituras e Câmaras de Vereadores da capital e do interior. É sempre a pequena política e o jogo de interesses menores que se sobrepõem aos interesses e à vontade do povo trabalhador.Assim também é o que vemos, como regra geral, na bancada de deputados federais e senadores baianos (ACM Junior-Demo, César Borges-PR e João Durval-PDT). Os da bancada de sustentação do governo Lula da Silva, aí incluídos não somente PT, PCdoB e PSB, mas também o velho carlismo do PMDB, PR (de César Borges), PTB e PP, sempre num eterno balançar de cabeças submisso, sem independência política e sem iniciativas importantes. Os do bloco Demo-PSDB, por não terem de fato divergências e fundo com o que é feito pelo governo, não fazem - nem podem fazer - uma oposição consistente.

Carlismo faz futrica, mas não vai enganar mais o povo

Enfim, o governo Wagner, por sua completa falta de identidade, iniciativa e independência política própria, tem se revelado o mais submisso às ordens do governo federal que a Bahia tem assistido nos últimos tempos.

Já “a velha direita carlista, ficou sem discurso e não exerce uma oposição de conteúdo programático ao governo Wagner. Se limita a criticar a incompetência administrativa e fazer denúncias de favorecimentos e manipulações da máquina do estado em favor dos interesses eleitorais de Wagner e do PT - coisa que eles mesmo não tem condições de fazer, pois estas práticas foram herdadas do próprio carlismo. Por outro lado, não tem críticas à política econômica, pois esta também é uma herança do carlismo”.

Homenagem ao camarada Manoel Amaral!!!

Por Edmilson Rodrigues

Camaradas,
Um jovem comunista se foi.
Um velho amigo resolveu partir.
Na verdade, nosso amigo e irmão
é mais um lutador do povo
partido pelos bichos inventados pela racionalidade irracional do capital.

Parte partindo, com golpes de bordunas,
nossos corações vermelhos de tanto sonhar.
Parte deixando sem chão,
enquanto choramos,
nossa rebeldia.
Parte deixando uma longa estrada de esperança comunista
para caminharmos em companhia de sua memória.
Como eu gostaria de acreditar que ele está no encontro de tantos outros mártires partidos.

Nota da Intersindical sobre o falecimento do Companheiro Manoelzinho

É com a dor da perda de um dos grandes lutadores do povo que a INTERSINDICAL manifesta tristeza com o falecimento do companheiro Manoel Amaral (da Ação Popular Socialista - APS, da Intersindical e do PSOL-PA), o qual era chamado carinhosamente de Manoelzinho.

Manoelzinho foi um militante exemplar e muito contribuiu com a organização da juventude e dos trabalhadores e trabalhadoras do Pará e com os movimentos sociais, sem perder a esperança própria dos combativos socialistas.
Apesar de sua juventude, Manoelzinho há décadas tem estado à frente das lutas!

Sua vida como ser humano e militante socialista é indiscutível: pai amigo e carinhoso, companheiro respeitoso, militante aguerrido, politizado, solidário e sempre disposto a dar o melhor de si para a luta do povo. Sem dúvidas, um exemplo a ser seguido!

Manoelzinho lutou nos últimos dias pela vida, uma luta acompanhada por muitos lutadores e lutadoras que, mesmo distantes, ao seu lado estiveram, torcendo por sua recuperação. Manoelzinho foi vítima de um dos males fabricados por este sistema capitalista, desumano, insano e injusto. Um dos males que afligem hoje a humanidade e para os quais se busca explicação ou com algum dos males que já deveriam ter sido erradicados, mas continuam dizimando vidas. Ele foi internado com suspeita de pneumonia, depois suspeitaram de gripe suína, em seguida de hantavirus e o único fato concreto até agora é que seu coração deixou de bater a 01h do dia 08 de agosto de 2009. E a única certeza que temos é a de que sua luta vai continuar, pois é a luta daqueles/daquelas que como ele, dedicaram e dedicam sua existência em defesa da vida, do planeta e de uma sociedade socialista.

A intersindical neste momento de dor se solidariza com a APS e com a família de Manoelzinho, em especial sua companheira Lílian Leitão, seus filhos, sua filha e demais familiares.

O exemplo e os ideais do nosso companheiro Manoelzinho, serão sempre um marco em nossa história e um caminho a ser percorrido.

Manoel Amaral, PRESENTE !

A luta continua!

INTERSINDICAL

quarta-feira, 3 de junho de 2009

MPF denuncia executivos de empreiteira que financiou campanhas do PT

MPF DENUNCIA 3 EXECUTIVOS DA CAMARGO CORRÊA
Fonte: BahiaNotícias

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou nesta segunda-feira (1º) três executivos da construtora Camargo Corrêa e quatro doleiros, inclusive por causa das obras do metrô de Salvador. Eles são acusados de participarem de um suposto esquema de câmbio ilegal paralelo, evasão de divisas, fraude contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. A denúncia da procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, com base na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal (PF), realizada em março deste ano. Segundo ela há uma “farta gama de provas” que indicam “a existência de articulada e sofisticada organização criminosa operada por doleiros e diretores da empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa”. O MPF registrou seis desses casos, entre eles o da Refinaria Abreu e Lima, em Recife, em que a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou 12 irregularidades. Além do metrô da capital baiana, foram denunciadas as obras de ampliação do aeroporto de Vitória, a implantação de trens urbanos em Fortaleza, a implantação do terminal de passageiros Timbi e a de modernização do trecho Rodoviária-Recife-Cabo, do sistema de trens urbanos da capital pernambucana. A Camargo Correa também foi apontada pela Operação Nêmesis, da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-BA), em que foram apontadas ilegalidades no aluguel de viaturas das polícias civil e militar baiana e compra de fardamento. Com informações da Agência Brasil.

Camargo Corrêa doou 3, 4 milhões ao PT em 2008

As empreiteiras investiram pesado nas eleições 2008. Segundo dados do TSE, foram repassados, ao todo, 39,9 milhões de reais aos diretórios nacionais de 7 partidos. O PT pode não ter ganho todas as eleições que disputou, mas nessa competição ele conseguiu superar seus adversários, sendo o campeão no recebimento de doações das empreiteiras, totalizando 14,9 milhões de reais. A Camargo Corrêa, denunciada recentemente pelo MPF (matéria acima), foi a segunda maior doadora do PT com 3,4 milhões de reais, perdendo somente para a Andrade Gutierrez que doou 5,85 milhões de reais.

As doações foram feitas através dos Diretórios Nacionais como forma de maquear a prestação de contas dos candidatos, pois assim eles poderiam esconder seus verdadeiros vínculos de classe