segunda-feira, 6 de abril de 2009

PSOL participa de ato contra os impactos da crise sobre os trabalhadores

O Partido Socialismo e Liberdade marcou presença no ato, realizado em Salvador no dia 30 de março, contra os efeitos da crise sobre os trabalhadores. Junto com a INTERSINDICAL, CONLUTAS e diversos ativistas dos movimentos sociais, o PSOL demarcou sua posição, afirmando que os trabalhadores não podem arcar com o ônus da crise. Nacionalmente, os atos realizados em diversas capitais reuniram milhares de pessoas.
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MSTB organiza seu primeiro encontro no Baixo Sul

Várias ocupações de Camamu e região estão iniciando a organização do Iº Encontro do MSTB no Baixo Sul. O objetivo é abrir discussão com diversas ocupações dos municípios da região e, a partir disso, organizar o movimento. As discussões estão avançadas e a expectativa é de que 12 ocupações da região participem do encontro, ainda sem data marcada.

MSTB participa de mobilização contra morte de Heloísa Santos, das Promotoras Legais Populares

Ana Vaneska
Coletivo de Guerreira Sem Teto e Gênero

À convite do GAPA/BA e das Promotoras Legais Populares (PLP/BA), o Coletivo de Guerreiras Sem Teto e Gênero participou de uma moblização na cidade de Entre Rios em repúdio à Morte de Heloísa dos Santos, PLP assassinada que, além de militante do movimento de direitos humanos e de outras lutas, foi mulher muito querida por todas/os.
Na mobilização, organizada pelas PLP´s/GAPA, também estavam as mulheres e crianças da família de Helô, "matada" brutalmente (e covardemente, já que ela estava praticamente sedada pelos medicamentos que era obrigada a tomar em função do tratamento que necessitava fazer por ser soropositiva) pelo marido no dia 02 de dezembro de 2008.

Helô foi enforcada, depois teve o seu corpo cortado e dobrado para que o assassino monstro tivesse mais facilidade de esconder o seu corpo. Ele andou aproximadamente 4 km de bicicleta para enterrá-la em um terreno baldio. Inventou histórias diversas para a sua família - de que ela havia viajado, de que não sabia com quem ela havia saído, de que ela havia deixado a sua chave com ele, de que deveria estar em Salvador, etc - até que, desconfiadas, as mulheres da família chegaram à conclusão de que ele havia assassinado ela. Ele tentou enrolar a família até o dia 20 de dezembro, quando a máscara de marido preocupado caiu de vez.

Foi descoberto, inclusive, ao longo das investigações, que ele já tinha nas costas o crime de violência a outras mulheres e, parece, o assassinato de uma criança.

No percurso da mobilização passamos pela Câmara de Vereadores, paramos em frente à delegacia, onde o monstro está encarcerado; pedimos que ele cumpra a pena por todos os crimes por ele cometidos.

"Rá, rá, rá, pode acreditar, a morte de Helô impune não vair ficar!", "Rá, rá, rá, pode acreditar, a morte de Helô Hélio vai ter que pagar!", "Hélio na detenção!!", "Basta de violência contra a mulher!!" foram palavras de gritadas pelas mulheres e pelos companheiros solidários à causa que lá estavam.

Com certeza, o recado foi passado em Entre Rios: "Basta de violência contra as mulheres!" E, sem sombra de dúvidas, aquele momento foi um momento de formação política intenso para todas/os nós!!

Estudantes da Uneb fecham BR 242 em protesto por falta de professores

Miriam Hermes A Tarde

Cerca de 200 estudantes do Campus IX da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) de Barreiras, fizeram na manhã desta quarta-feira uma manifestação que durou duas horas na BR 242, via que passa em frente à faculdade, cobrando do governo do estado a realização de concurso público para contratação de professores efetivos. O movimento, que chegou a impedir o tráfego dos veículos por cerca de meia hora passou a ocupar meia pista depois de negociações com prepostos da Policia Militar e da Policia Rodoviária Federal, o que permitiu a retomada do fluxo normal na rodovia.“Nós estamos no quinto semestre de Biologia e este ano estamos cursando disciplinas que deveríamos ter estudado no primeiro semestre”, diz a acadêmica Aline Alves, 20 anos, enfatizando que de todos os cursos que o campus oferece, a situação mais grave é de Biologia. Cursando o sétimo semestre do mesmo curso, Cássio Pereira destaca que a turma que está no primeiro semestre, “que deveria estar com oito disciplinas, está apenas com quatro disciplinas”.

De acordo com o diretor do campus, professor Joaquim Soares Neto, em concurso que foi anunciado recentemente pelo governo do estado, Barreiras deve ser contemplada com 19 professores. No entanto, destacou Neto, “para que todos os cursos funcionem normalmente, precisamos de mais cerca de 40 professores”

Estudantes denunciam acordão do DCE, dirigido pelo PT, com a Reitoria da UNEB

Nota de Esclarecimento do Movimento Estudantil do Alto Sertão (MEAS) para Comunidade Acadêmica da Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Reconhecendo a necessidade e a legitimidade do movimento estudantil de base que se faz entender enquanto movimento social, lutando não apenas por melhorias na educação superior, mas também por outra forma de sociabilidade, é que surge o Movimento Estudantil do Alto Sertão- MEAS –, e se estrutura como uma forma de enfrentamento aos descasos históricos com a educação pública Baiana e Brasileira. Diante da situação em que a UNEB encontra-se, e em especial dos Campi do Alto Sertão, convivendo constantemente com a falta de professores, assistência estudantil, técnicos administrativos, infra-estrutura e acervo bibliográfico, os Campi da referida região (Caetité, Guanambi e Bom Jesus da Lapa) tentam abrir diálogo com reitoria e demais órgãos competentes por meio de diversas mobilizações que culminaram na Ocupação e, posteriormente, na efetivação do Movimento Estudantil do Alto Sertão (MEAS) enquanto representatividade.
Neste sentido, o MEAS é a nomeação da mobilização organizada pelos três Campi, surgido a partir das necessidades de melhorias nas condições da formação universitária. Assim, trata-se de um movimento organizado por estudantes, logo apartidário, que lutam por uma universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.
Cabe ainda, nesse espaço, esclarecer que ele surge totalmente desvinculado do Diretório Central de Estudantes (DCE), pois historicamente essa entidade não organizou e/ou implementou ações no sentido de representar os interesses dos estudantes, ou ao menos reivindicar os direitos destes, especialmente do interior.
Além disso, torna-se válido ressaltar, que o MEAS está desvinculado do movimento do Campus XV, da cidade de Valença, intitulado “Professores Já”. Reconhecemos a importância e legitimidade deste movimento, contudo, apesar de lutar pelos mesmos ideais e propósitos, este utiliza de estratégias e caminhos diferentes para a efetivação deste processo, não apresentando, portanto, vínculo concreto com a Comissão de negociação do MEAS.
Por tudo isso só nos resta reafirmar que o MEAS é um movimento autônomo, independente e organizado que luta pela melhoria das condições do ensino, pesquisa e extensão da Universidade do Estado da Bahia.

Violência: 452 pessoas assassinadas em 85 dias na capital e RMS

Helga Cirino, do A TARDE
A violência urbana está longe de apresentar sinais de abrandamento. De 1º de janeiro a 26 de março, foram registrados 3,19% a mais homicídios que nos três primeiros meses do ano passado.
A comparação com 2007 é ainda mais preocupante. No primeiro trimestre de 2008 aconteceram 40% a mais de assassinatos que janeiro, fevereiro e março do ano anterior. O aumento percentual de 2009 parece pequeno, mas o montante de vítimas do crime é expressivo: em 85 dias, 452 pessoas foram assassinada na capital baiana e cidades da região metropolitana.
Isso representa uma média de 150 homicídios a cada mês e cinco mortes a cada dia – um crime a mais que a média diária de 2007. Em sua maioria, os mortos são jovens, negros, com segundo grau incompleto, moradores de comunidades de baixa renda.
Das 452 vítimas, apenas 20 eram mulheres e sete foram encontradas em alto estágio de decomposição, ao ponto de a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não conseguir definir o sexo. Entre os mortos, 28 tinham menos de 18 anos, enquanto 18 deles haviam acabado de completar a maioridade. Das 452 vítimas, 82,1% foram atingidas por disparos de arma de fogo. Em números absolutos, 371 pessoas foram assassinadas a tiros nos primeiros 85 dias deste ano. São histórias como a do estudante Luan Bispo dos Santos, 18, baleado e morto numa sala de aula da Escola Estadual Filadélfia, última terça-feira. Chefe do gabinete do delegado-chefe Joselito Bispo, a delegada Emília Blanco, ex-coordenadora do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep), acredita que ações da Polícia Civil estão resultando em reduções. “Se a intensidade da violência registrada nos dois primeiros meses de 2008 se mantivesse, teríamos encerrado o ano na casa de 2 mil homicídios. Ações possibilitaram fechar com 1.732 casos. Este ano, se continuarmos com a média dos dois primeiros meses, seguiremos com queda”, projetou Bispo. Para Tânia Cordeiro, do Fórum Comunitário de Combate à Violência, os números não devem ser comemorados se o Estado não buscar diagnósticos precisos: “Mesmo com um aumento reduzido, o número de pessoas mortas continua sendo muito alto”.

http://www.atarde. com.br/cidades/ noticia.jsf? id=1107549

Os jovens saudáveis continuam morrendo

Por Danilo Silva

Foi assim que leu a noticia de um jornal um senhor que estava sentado à frente de sua casa em um famoso bairro de salvador.
Pensou que era um contra-senso um jovem de tão boa aparência morrer
Perguntou a mulher se alguém poderia vir a morte gozando de tal saúde e ela tristemente respondeu que sim, que poderia sim morrer saudável.
E ele refletiu mais uma vez...
Quantos meninos que eu vi crescer morreram saudáveis?
Quantos?
Eu os vi indo a escola, jogando bola, virando homem, homem, alguns nem a isso chegam
Morrem jovens...
Eu vi quando aquele garoto começou a morrer, ele comentou com a mulher.
Ele ficava fascinado com as roupas de grife estrangeira que via na televisão.
Um dia ele confessou o seu sonho: “estudar e se formar para comprar o que ele quisesse”.
Mas não foi assim, ele teve que largar a escola, começar a trabalhar.
O pai ficou desempregado, tinha mais três irmãos, era dever seu ajudar a família, primogênito, estava fadado ao mesmo destino de seu pai, homem bom, honesto porém muito pobre.
Não aceitava aquele destino, queria mais, procurou trabalhar.
Foi à feira, recebia bem como feirante, mas ainda não era suficiente para comprar a tal camisa de 100 reais. Percebeu que na feira nunca ia conseguir o dinheiro, nunca dava.
Era o que ele dizia aos amigos que usavam essas marcas.
Até que um dia veio a proposta: ficar na boca vendendo, 500 reais por semana, ele era bom de conta, os outros sabiam disso, precisavam de alguém daquele jeito para cuidar das finanças do tráfico na região.
Muito inteligente, ele logo subiu de cargo, virou um tipo de gerente geral, um chefe, ganhou respeito entre os outros meninos.
Rapaz sempre bom com os moradores da comunidade, nunca agrediu ninguém, nem maltratou.
Ele só queria o dinheiro para comprar a camisa...
Começou a morrer aos poucos, teve que matar um rapaz, pois esse queria lhe matar.
Teve que matar outro por cobrança, a lei nesses locais é sempre cruel, desumana, a sentença é sempre a morte.
Sabia que matando assim, sua hora não tardaria.
E isso o fez mudar, mudar o jeito de andar, deixar de andar, de sorrir, de amar.
Quem olhava para ele via um anuncio de morte, diziam que ele não passaria o próximo natal com a família.
Falavam tantas coisas dele...
No dia do acontecido, eu me lembro bem, o algoz passou por mim já puxando a arma.
Ele viu, tentou correr, não conseguiu.
Foi almejado junto ao coração.
Coração que naquela hora batia pela mãe que recebeu a noticia amparada pelo pai que repetia a todo momento “eu já esperava, quando se entra nessa vida não há outra saída”.
E pelo filho que deixava nos braços da mãe que, agora, chora ajoelhada perto do corpo estirado no chão.
Esse mundo ta perdido, os jovens pensam que a felicidade é um produto que pode ser comprado e se esquecem que os momentos mais felizes são aqueles que a única riqueza que carregam são a simplicidade dos sentimentos verdadeiros.
Como podemos aceitar isso, ele queria estudar, quantos estudariam se tivessem chances.
O nosso governo não mata só com a polícia, mais também com todos os órgãos, todos matam um pouco, a educação que é negada, a saúde dificultada, o emprego que não existe.
A policia só vem para confirmar uma tese que pelo próprio estado foi criado: jovem negro é para matar, não importa o que ele é, ou o que levou ele a cometer tais atos, a ordem é matar.
Ao terminar a sua reflexão chegou a notícia: mais um jovem saudável morreu.

Do blog: http://www.umgarotodeletras.blogspot.com/

Para os meliantes, tudo. Para Protógenes, a lei

Aurelio Laborda

Fui um dos fundadores do PT na cidade de Itabuna, em 1981. Nunca houvera sido filiado a qualquer Partido. O PT me encantou pela sua origem, forjada na luta dos trabalhadores, e por empunhar a bandeira da ética na política e do combate à corrupção. Desde a campanha eleitoral que resultou na primeira eleição de Lula, o PT passou a fazer questão de mostrar-se igual aos demais Partidos e acabou por trocar o fome zero pelo ética zero, Recentemente o PT e outros Partidos, aliados e "não aliados", entraram em polvorosa com o resultado das investigações do corajoso Delegado Protógenes Queiroz e trataram logo de criminalizá-lo, fazendo uma "cortina de fumaça" em torno dos crimes de Daniel Dantas e sua gang. O PT e o relator da CPI dos grampos, Nelson Pellegrino, que foram vítimas de grampos ilegais, promovidos pela então Secretaria de segurança pública, Katia Alves e pelo Senador ACM, acabaram por livra-los do processo e este último tambem da cassação. A população, estarrecida, passa a indagar o porquê desse comportamento de dois pesos duas medidas. A razão é óbvia e muito simples: ACM queria apenas chantagear adversàrios e Protógenes quer levar a sério o combate à corrupção. Hoje o lema do PT é: a Sarney, Fernando Collor, Jader Barbalho, Romero Jucá e outros meliantes, tudo. A Protógenes a "lei".

Funcionários da Monsanto rejeitam comida com Transgênicos

Na lanchonete da sede da Monsanto na Inglaterra, os consumidores (funcionários da empresa) não querem comer produtos com transgênicos, especialmente os feitos de soja e milho. Exigiram do dono que somente usasse produtos livres de transgênicos. E este atendeu, colocando até um aviso ao público sobre o novo procedimento.
Enquanto isto o governo Lula permite os transgênicos avançarem a todo vapor no Brasil.

Meios de produção no Brasil pertencem a 6% da população

O Estado do Maranhão (MA)
03/04/2009 - 08:07
Da Redação

Os meios de produção de riqueza do país estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros. É uma das conclusões apresentadas no livro Proprietários: Concentração e continuidade lançado ontem (2), na sede do Conselho Regional de Economia (Corecon), em São Paulo.

A publicação é o terceiro volume da série Atlas da nova estratificação social do Brasil, produzida por Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e vários economistas do órgão. Do livro, consta um levantamento que revela que, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento - também considerado um bem pelos pesquisadores.

Em entrevista coletiva organizada para o lançamento do livro, Pochmann afirmou que a concentração das propriedades no Brasil é antiga e remete aos tempo da colonização. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrializaçã o ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.

"A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós [brasileiros] nunca vivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso país", disse.

De acordo com o livro, os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum. A grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior, e não tem sócios.

Para Pochmann, o quadro da distribuição das propriedades brasileira é grave. O Brasil tem seus meios produção de riqueza mais mal distruídos entre os países da América Latina, por exemplo. E isso não deve mudar em um curto prazo, segundo o economista.

"Estamos fazendo reforma agrária desde os anos 50 e nossa distribuição fundiária é pior do que a de 50 anos atrás; nossa carga tributária onera os mais pobres; a única coisa que vai bem é a educação", afirmou ele, citando dados que apontam que o percentual dos jovens que frequenta a universidade passou de 5,6%, em 1995, para cerca de 12%, em 2007.

Pochmann disse porem que mesmo com o aumento dos índices da educação, ele ainda está muito aquém do encontrado na Europa, onde 40% dos jovens têm diploma universitário. Ressaltou também que a mudança da distribuição das propriedades por meio da educação é a forma mais lenta de justiça.
Publicado também na Agência Brasil, Portal Midiamax (MS), Portal 24 Horas News (MS), Folha da Região (SP), Portal Band (SP).

Os traidores de classe

Milton Temer
Do site da Fundação Lauro Campos

Entre os vários episódios pitorescos que marcam a Revolução de Outubro, na Russia de 17, um merece ser recuperado. Trata-se de um fato marcante, ocorrido com Alexandra Kolontai, e que resultou em filme de sucesso na União Soviética, lá pelos anos 70 do século passado. Kolontai, revolucionária combativa e dirigente competente, todos sabem, era uma mulher de dotes físicos admiráveis. Com o que, e principalmente pelo seu comportamento individual libertário, exercia forte influência sobre seus pares, em um momento em que os embates sobre os caminhos da Revolução eram disputados por uma direção de altíssimo nível, mas onde a maioria era conquistada em cada confronto específico. Comenta-se que, para evitar problemas com sua camarada de lutas, por quem tinha respeito, mas de quem temia posições sectárias, Lênin preferiu afastá-la do núcleo de comando. Por conta disso, nomeou-a embaixadora na Suécia. Pois bem, e aí vamos ao grão, em sua primeira entrevista coletiva, ela se vê acossada pela inconveniência de uma pergunta de um jornalista sueco: “Como se explica que eu, filho de um operário, me veja na condição de social-democrata, enquanto a senhora, filha de um general czarista, se transforma em líder bolchevique?” Kolontai não hesitou, e desmontou o inquisidor com a resposta: “Isto se explica porque somos, ambos, traidores de classe”.
Essa historinha de tempos heróicos, difíceis de imaginar no tempo em que vivemos, me ocorreu por conta da brutalidade das últimas declarações de Luiz Inácio Lula da Silva, em uma de suas incontáveis aparições públicas, onde discursa para criar manchetes de jornal. Não; não estou me referindo aos vilões de pele branca e olhos azuis. Quem tem que comentar tal deslize com mais propriedade é João Pedro Stédile, que bate na trave da descrição presidencial sobre os responsáveis pela crise gerada com a hegemonia do sistema financeiro privado sobre a economia globalizada. Ou o humanista Leandro Konder, com uma vida dedicada ao combate intelectual sem tréguas ao capitalismo.
Estou me referindo ao absurdo do comício em que Lula conclamou os trabalhadores a, diante da complexa conjuntura atual, abrir mão do direito de reivindicar justa participação salarial na riqueza que produzem. "Hoje, mais do que fazer uma pauta de reivindicação pedindo mais aumento, temos que contribuir para que as empresas vendam mais" foi o que ele afirmou, sem corar, na Feira de Construção Civil semana passada. O que quer dizer tal barbaridade? É por ignorância ou por má-fé serviçal que alguém, invocando sua condição original de sindicalista, conclama os trabalhadores a se sacrificarem para que os patrões não se vejam prejudicados na manutenção da taxa de lucro obtida pela exploração da mais-valia desses trabalhadores?
Tenho certeza de que não é por ignorância. E isto já havia sido demonstrado quando, por ocasião do encontro com o patronato da Embraer, Lula aceitou pacificamente os argumentos da empresa que terminara de demitir mais de 4000 trabalhadores. Argumentos que não impediram, logo depois, à Justiça do Trabalho, impor suspensão à medida, com imediata reintegração dos demitidos. E não por acaso, assim agiu a Justiça. A Embraer não demitia porque não poderia pagar. Pelo contrário. Embora perdendo encomendas no exterior, seu fluxo de produção continuava normal. O que ela executava era em função de prever queda de faturamento futuro por conta do desdobramento da crise nos ditos países desenvolvidos. Ou seja; na possibilidade de diminuição dos lucros a partir de 2010, a Embraer se dava ao luxo de demitir, desde já, 4000 chefes de família, sem nenhuma proposta intermediária – férias coletivas, plano de demissão voluntária – a ser apresentada aos que tiveram as cabeças cortadas.
O engulho é duplo quando nos recordamos que boa parte dos projetos exitosos da Embraer foi produto de sua fase estatal.Lula, com seu discurso, deu provas, mais uma vez: um auto-proclamado representante do mundo do trabalho pode ser mais eficiente na defesa dos interesses do grande capital do que um magistrado, com origem acadêmica universitária, e previsivelmente muito mais identificado com este segmento privilegiado. Com a extraordinária competência perversa do seu espírito pragmático, gera movimentos transformistas extremamente ambíguos, como os que executa em sua política externa, instalando confusão ideológica até entre seus adversários.
O exemplo mais recente está na participação na reunião dos ditos chefes de Estado “progressistas” , realizado em Viña Del Mar, numa preparação da reunião dos G-20. Ali, defendeu enfaticamente o Estado forte, regulamentador. Sem dúvida, Lula pratica um Estado atuante na economia, mas não no benefício dos mais necessitados de forma direta. Estado forte é o que põe em movimento com as isenções tributárias, subsídios e financiamentos a juros privilegiados que fornece ao grande capital. Quando obrigado a se posicionar na contrapartida social, a linguagem interna se modifica. Para além da “forma barata de tratar a pobreza”, com o Bolsa-Família, o Estado só faz se omitir nos conflitos sociais e trabalhistas. Os banqueiros e os predadores do agronegócio, aliás, há muito tempo já haviam constatado isso.
Milton Temer é jornalista e presidente da Fundação Lauro Campos