quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pataxó retoma fazenda no Extremo Sul da Bahia

23 famílias Pataxó retomaram uma fazenda (340 hectares) no lado norte de Cumuruxatiba, entorno do "Parque do Descobrimento", município do Prado. As famílias Pataxó foram expulsas desta terra na década de 70, pela antiga empresa de exploração madeireira Brasil-Holanda. A área faz parte do território tradicional do povo Pataxó que se encontra em fase de estudos para demarcação.
A fazenda estava sob domínio do fazendeiro Clemente de Tal que já mandou segurança armado para a área. A situação no local é tensa, os seguranças chegaram ameaçando, segundo as lideranças indígenas ligados
a Frente de Resistência e Luta Pataxó, um índio conhecido como "Casa Grande" foi seqüestrado pelos seguranças e se encontra desaparecido.
As famílias estão solicitando a presença da Funai e da Policia Federal no local para garantir a integridade física do grupo e investigar o paradeiro do índio seqüestrado.

Eunápolis/BA, 17 de julho de 2008.
Cimi Leste – Equipe Extremo Sul/BA

A ativista Angela Davis do 'Panteras Negras' realiza conferência em Salvador

Uma das ativistas políticas mais conhecidas no mundo, militante pelo direito das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos, participante do movimento 'Panteras Negras' e Black Power, Angela Davis, será a palestrante na videoconferência 'Do Plantation ao Sistema Prisional', que será realizada no dia 04 de agosto, às 14 horas. Atualmente, Angela é professora-doutora da Universidade da Califórnia e a sua palestra fará abertura do Curso Internacional Avançado em Estudos Étnico-raciais (XI Fábrica de Idéias). O evento realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e apoiado pelo Instituto Anísio Teixeira / SEC será transmitido para 40 municípios da Bahia. Angela Davis militou politicamente nos anos 60 e se tornou emblemática em relação à defesa dos direitos civis do negro e da mulher na sociedade norte-americana, tornando-se uma figura afirmativa e revolucionária que é lembrada como referência estética e intelectual para a comunidade negra dos EUA e do mundo.
Filha de uma família de negros de classe média, Angela desde a escola atuou politicamente em movimentos da esquerda. A imagem de Angela teve maior visibilidade a partir de 1969, quando foi coagida a parar de lecionar pelo então governador da Califórnia, Ronald Reagan, por ser integrante do movimento comunista. Posteriormente, Angela foi injustamente acusada de ser a dona da arma que matou um juiz, num julgamento que durou cerca de dezoito meses.
Hoje, Angela Davis é escritora, filosofa, professora universitária e continua sua vida na militância contra a pena de morte, o sistema carcerário estadunidense, e em defesa de causas sociais e étnicas.O encontro com Angela Davis será no auditório de videoconferências do IAT, na Paralela, e tem como público-alvo estudantes, pesquisadores, educadores e gestores da rede pública de ensino.
Endereço
Instituto Anísio Teixeira - IAT
Estrada da Muriçoca, s/n - Paralela - Salvador

Candidato do PSOL diz que governo reprime denúncias contra segurança

(Também na entrevista do programa Sociedade Alerta, apresentado por Adelson Carvalho) Após analisar a criação da Guarda Municipal em Salvador que, para ele, foi feita de “forma muito pouco responsável”, o candidato da Frente de Esquerda Socialista (PSOL, PSTU e PCB), Hilton Coelho, denunciou que o governo do Estado reprime servidores estaduais que relatam os problemas existentes na área de Segurança Pública. “Mesmo aqueles profissionais que vêm denunciando a situação da Segurança Pública, os problemas que a Segurança Pública tem, eles têm sido duramente reprimidos pelo governador. Nós temos um caso de um companheiro nosso do PSOL que fez críticas e denúncias em relação à Segurança Pública do nosso Estado e ele foi demitido, ao invés de ser acolhido. Foi demitido do corpo da Polícia Militar do Estado da Bahia em função das críticas que fez à situação de problemas internos, de funcionamento da Polícia Militar”.

Fonte: Política Livre http://www.politicalivre.com.br/ Qui 17 Jul 2008

Clara Rojas diz que Ingrid mentiu sobre cativeiro

A ex-candidata à vice-presidência da Colômbia Clara Rojas, que foi seqüestrada juntamente com Ingrid Betancourt pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), lamentou nesta quinta-feira as "histórias falsas" contadas pela ex-refém da guerrilha, referindo-se a declarações em que Ingrid afirmou ter salvado Emmanuel, filho de Clara nascido em cativeiro.

Em referência a Ingrid e ao ex-senador Luis Eladio Pérez, libertado em janeiro passado, Rojas assegurou, em entrevista à emissora RCN, que "eles deviam ter sido solidários, e não foram".

"Penso que o que passou, passou, e o que eles estão dizendo é totalmente falso. Dói na minha alma, porque não tenho nada contra eles", disse hoje Rojas.

A ex-refém referiu-se a declarações e entrevistas concedidas por Ingrid e Pérez e à saída do ex-senador da Colômbia esta semana por ameaças à vida.

Rojas mencionou também uma reportagem em que o ex-senador disse que tinha lavado fraldas de Emmanuel, filho da ex-candidata à vice-presidência que nasceu em cativeiro.

Ela também falou sobre uma declaração de Ingrid a um canal de televisão de Paris de que teria salvado a vida a Emmanuel.

"Não sei de onde eles tiram isso, mas Ingrid é boa de teatro", acusou Rojas, parecendo desconfortável.

Ela explicou que "o nível de proximidade, tanto de Luis Eladio (Pérez) quanto de Ingrid com Emmanuel era zero" e acrescentou: "Eles estavam na zona de fumantes e eu, na de não fumantes, e não tínhamos nada a ver".

A realidade, afirmou, "é que desde o momento em que soube que estava grávida até o momento do nascimento, eles estiveram muito afastados", e continuaram assim até quando os três foram separados.

"Tento ser muito cuidadosa com o que falo do seqüestro", disse Rojas, que ainda afirmou que deseja "viver tranqüila".

Ingrid Betancourt e Clara Rojas foram seqüestradas em 23 de fevereiro de 2002 no departamento de Caquetá, sul da Colômbia.

Clara Rojas foi libertada pelas Farc no dia 10 de janeiro e, desde então, vive em Bogotá com a mãe e com o filho, enquanto Ingrid, resgatada em uma operação do exército no dia 2 de julho, viajou com a família dois dias depois para Paris.



http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3001126-EI8140,00-Clara+Rojas+diz+que+Ingrid+mentiu+sobre+cativeiro.html

Clara+Rojas+diz+que+Ingrid+mentiu+sobre+cativeiro.html


25 de Julho Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe

O Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas em Santo Domingo, República Dominicana. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra, tendo em conta a condição de opressão de gênero, racial/étnica e de classe em que vivem.

Nós, mulheres negras, estamos nas ruas para denunciar e combater o racismo e o machismo; estamos reafirmando a trajetória de luta de nossas ancestrais, mulheres que foram arrancadas de suas famílias, sociedades, culturas, modos de viver na África - mulheres que criaram um modo de vida neste continente chamado América.

Mulheres como Nany na Jamaica; como Jacuba, Júlia, Dorothea, Una e Effa nas Guianas, que enfrentaram os senhores de escravos; mulheres como Rosa Parks que se recusou a dar o seu lugar num ônibus a um homem apenas por este ser branco, iniciando nos Estados Unidos o Movimento dos Direitos Civis; mulheres como Maria Felipa que lutou na guerra da independência na Bahia, mas não é lembrada no Dois de Julho; mulheres negras que cotidianamente trazem na pele, no rosto, no cabelo, no sorriso a sua força e a certeza de que podem mudar essa situação.

Nós, mulheres negras, estamos evidenciando como a nossa sociedade é perversa, como ela maltrata as suas filhas e filhos, como ela mata as nossas crianças, adolescentes e jovens negros. Essa sociedade mata com a violência do aparelho repressor do Estado, mas mata também quando não pune estes agressores; mata quando nos empurra para a marginalidade; mata quando não investe na saúde pública, quando deixa que as nossas jovens morram em função dos abortos clandestinos por falta de atendimento médico e por pura hipocrisia dessa sociedade. Esta sociedade nos mata quando fecha os olhos à violência doméstica, quando ri por sermos negras e nos impõe um modelo de beleza branca que é cruel; mata quando permite que a educação pública básica não atenda as necessidades do nosso povo.

Muitas mulheres morreram e morrem por tudo isso, mas nós estamos vivas e lutando para reafirmar o nosso compromisso com as lutas dessas mulheres e das nossas ancestrais de construir um espaço de poder em que o racismo e o machismo sejam permanentemente combatidos.

Veja a programação e participe desta mobilização:
MANHÃ - 09:00h - Audiência Pública - Reabertura Já da DEAM de Periperi
Local: Colégio Estadual Praia Grande, Rua Rosalvo Barbosa S/N Periperi - próximo ao posto médico

TARDE - 15:00h - II Caminhada das Mulheres Negras
Local: Campo Grande
NOITE - 19:00h - Seminário "Por Uma Questão de Gênero e Raça" e entrega do Prêmio Luiza Mahim
Local: Terreiro Oxumaré


domingo, 20 de julho de 2008

PSOL da Bahia tem sede nova


É Av. Sete de Setembro, Nº 818, 3º andar. Fica entre as Mercês e a Piedade. Veja o Mapa:





25 de Julho - Dia da Mulher Negra na América Latina e Caribe - Ancestralidade e Resistência em Luta por Caminhos de Igualdade

Veja a programação e participe desta mobilização:
MANHÃ - 09:00h - Audiência Pública - Reabertura Já da DEAM de Periperi
Local: Colégio Estadual Praia Grande, Rua Rosalvo Barbosa S/N Periperi - próximo ao posto médico

TARDE - 15:00h - II Caminhada das Mulheres Negras
Local: Campo Grande
NOITE - 19:00h - Seminário "Por Uma Questão de Gênero e Raça" e entrega do Prêmio Luiza Mahim
Local: Terreiro Oxumaré

Hilton Coelho critica brigas de caciques

Fonte: Trechos do Blog Política Livre - Qui 17 Jul 2008

Hilton Coelho quer auditoria na secretaria municipal de Saúde

Ainda na mesma entrevista à Rádio Sociedade (programa Sociedade Alerta, apresentado por Adelson Carvalho), Hilton Coelho (PSOL) prometeu, se ganhar as eleições municipais, como seu primeiro ato na Prefeitura, fazer uma auditoria na secretaria municipal de Saúde. Além disto, criticou a postura dos vereadores governistas na investigação da morte do servidor Neylton da Silveira. “Ao tomar posse em 1º de janeiro, a primeira medida da Frente de Esquerda Socialista vai ser fazer uma auditoria na Secretaria de Saúde. O caso Neylton vem evidenciando que não é uma coisa particularizada. (…) Os vereadores do PT e seus aliados, junto com a bancada do prefeito, votaram contra a CEI, tomando uma posição clara de jogar uma nuvem de fumaça no que seria de fato as decorrências que se tem na saúde hoje desta intervenção da iniciativa privada nos rumos da saúde pública da nossa cidade e o resultado é dramático”, criticou.


Fonte: Política Livre http://www.politicalivre.com.br/ Qui 17 Jul 2008

Lula manda Polícia Federal divulgar vídeo manipulado contra delegado e se dá mal

Tentando desmoralizar o delegado Protógenes, que identificou a participação de dirigentes do PT e do governo, muito próximos de Lula, para favorecer Daniel Dantas, Lula mandou a PF divulgar um vídeo manipulado. Era uma parte editada, de reunião da PF, para fazer crer que o delegado tinha pedido pra sair por vontade própria. Foi um tiro no pé. Ficou claro que era manipulação e que o governo tudo faz para esconder a verdade. O governo Lula e o PT se desgastaram ainda mais.

Agora o discurso de Lula, Tarso Genro e do PT é de que a questão é interna da PF e ele não se mete. Mas isto, depois de ter afastado o delegado do caso, para impedir uma investigação independente - pois a investigação grampeou conversas entre o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh e o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho (ambos amigos pessoais de Lula). Mas a gravação contradiz a versão da PF.

Matéria de Bob Fernandes,ajuda a entender o que aconteceu nas entranhas do governo. Veja a seguir.

PF viveu guerra e espionagem para prender Dantas, Por Bob Fernandes

Os intestinos do Brasil - A Polícia Federal trabalhou duramente para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal não queria, de forma alguma, que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas não fosse preso.

A Polícia Federal trabalhou contra a Polícia Federal.

Esse é mais um capítulo do mergulho nos intestinos do Brasil. Estão presos o banqueiro do Opportunity, o megaespeculador Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outros 17 dos 21 que tiveram a prisão decretada. É quarta-feira, 9 de julho.

Nas telas, ondas, bits e páginas, a futebolização de sempre: aplausos entusiasmados, críticas ferozes à ação da polícia. O que ainda não chegou à tona é a verdadeira história dessa gigantesca ação policial, da encarniçada batalha que se travou nos setores de Inteligência e da Polícia.

O que se narra aqui são cenas, é o contorno dessa batalha, mas antes é preciso lembrar que este é apenas mais um capítulo.

Crucial, decisivo para que se entenda o todo, o que se movia, se move - e se moverá -, mas apenas mais um capítulo no enredo da maior disputa da história do capitalismo brasileiro, disputa essa que carrega em si o esteio, a sustentação do poder. Do Grande Poder.

O delegado Protógenes Queiroz comandou as investigações no último ano. Antes dele, ao tentar seguir a pista da organização comandada por Dantas, outros delegados fraquejaram. Ou desistiram, ou...

Protógenes foi conduzido ao comando da operação pelo então diretor geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Paulo Lacerda queria, autorizou e chefiou a operação até deixar a direção da PF.

Chefe da PF, Luiz Fernando Corrêa, que tentou abafar o caso, era amigo de Zé Dirceu

Um dia, convidado pelo presidente Lula, Lacerda foi para a Abin. Em seu lugar assumiu Luiz Fernando Corrêa, que chefiava a Força Nacional de Segurança Pública. Luiz assumiu com fama de amigo de José Dirceu.

Se era ou se não era, se suas relações vinham apenas da proximidade no trabalho de segurança da PF ao candidato Lula em eleição anterior, é uma outra questão, mas o fato é que Luiz Fernando chegou ao cargo com essa fama: amigo de José Dirceu.

Logo ao assumir, o diretor da PF quis mais informações sobre que investigação seria aquela relativa aos negócios e métodos de Daniel Dantas. Normal. Parte das suas atribuições de comando.

O delegado Protógenes, por seu lado, ofereceu explicações genéricas, mas guardou o que era secreto, segredo de justiça.

Normal. Manhas de um tira brilhante, esperto, do policial que prendeu Paulo Maluf, o contrabandista Law Kin Chong, que pôs na marca do pênalti o Corinthians da MSI, Kia Joorabichian e Dualib, que investiga para a FIFA as lavanderias do futebol mundo afora.

Normal, em meio aos rumores sobre vazamentos na investigação e, pior, propinas. Subornos em favor de Dantas.

Na diretoria de Inteligência, um aliado do diretor geral na busca de informações amplas sobre o núcleo das investigações: o delegado Daniel Lorenz.

Luiz Fernando Corrêa esvaziou Operação Satiagraha

Protógenes Queiróz é duro na queda. Primeiros embates, e a operação Satiagraha perde estrutura. O comando esvazia parte da logística; retira agentes e peritos, encolhe a sala, asfixia as investigações. ...o corriqueiro nos jogos de guerra.

O jogo é maior, muito maior. As pedras se movem. Ao diretor da Polícia Federal chega o recado. Suave, mas direto: as investigações devem prosseguir.

Fim do ano. Mídia afora, o festival de plantações, versões. A batalha, que é política, comercial, policial, segue seu leito também nas telas, ondas, bits e páginas. Véspera do Natal. Estranhíssima entrevista do diretor geral.

Luiz Fernando Corrêa escolhe o encarte semanal "Brasília" do jornal mineiro Hoje em Dia para mandar um recado em forma de entrevista. Manchete:

-Cada geração tem um papel a cumprir. Cumpriu, sai fora!

Até o vidro fumê do edifício sede da PF em Brasília captou a mensagem e o destinatário: Paulo Lacerda.

Para não haver dúvidas, a capa do tablóide berrou:

-PF dividida.

Véspera do Natal, peru, nozes, vinhos, poucos civis devem ter lido. Mas a polícia inteira leu. Comentou, discutiu. E mesmo o mais desatento agente sacou que a barca do delegado Protógenes Queiroz, fosse qual fosse, não era uma boa.

Parênteses. Daniel Dantas e os seus comemoravam, vibravam a cada boa notícia. Sim, o que não faltou nesse enredo foi notícia. Capas e capas.

O carnaval se foi. E um fato: a repórter quer falar com o delegado Queiroz. Quer informações sobre uma investigação que envolveria Daniel Dantas e o Opportunity. Apreensão, no início de abril - e isso são fatos. Objetivos. Conhecidos desde então: a repórter vai publicar o que tem se não for recebida.

A situação se agrava. Por ordem do comando, o delegado Protógenes Queiroz perde quase toda a logística. Fato registrado, inclusive, em imagens: a sala sendo esvaziada, a tralha tecnológica removida.

Queiroz começa a fingir que a operação faz água. Cede, aceita conversar com a repórter; Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. Mas faz uma exigência aos superiores: quer a presença do diretor geral, Luiz Fernando Corrêa, e de Lorenz, o diretor de Inteligência.

Delegado Protógenes despista esquema governista

Corrêa não vai, manda alguém da comunicação social. Lorenz, presente. Na conversa, o delegado Queiroz contorna, tergiversa, despista, e guarda tudo o que disse e o que não disse.

Sábado, 16 de Abril. Anunciado o acordo das teles, vem aí a BrOi. No caderno "Dinheiro", da Folha, em quase meia página a repórter Andréa Michael relata os contornos de uma operação a caminho, destinada a prender Daniel Dantas.

Domingo, 17 de Abril. A operação está morta. Protógenes Queiroz faz dois movimentos. Primeiro, na véspera, a ligação para Lorenz, que está no Chile. Cobra a conta da conversa com a repórter, quando apenas despistou. A conversa, de parte a parte, não é boa.

Segundo movimento: Queiroz, para efeito externo, dá a operação como morta. Para efeito interno, os fatos incendeiam agentes, peritos e delegados envolvidos numa operação cada vez mais secreta.

Segue a semana. Queiroz é comunicado. Não há, não haverá mais logística alguma. Caso encerrado. Caso que o diretor geral e o diretor de Inteligência seguem a desconhecer em seu teor. O delegado está solto no espaço.

Uma outra rede conecta-se, subterrânea, solidária. O outro lado da polícia trabalha, secretamente, pela Satiagraha, a "firmeza na verdade" de Gandhi.

Notas em colunas, sites. Chutes, bravatas, cascatas, desinformação. A operação é adiada. Uma, duas, três vezes.

O delegado Protógenes Queiroz é monitorado, vigiado. Pela Polícia Federal. E sua equipe contra-ataca: vigia, monitora, flagra e registra, os movimentos dos monitoradores da própria PF.

Daniel Dantas e os seus estão tensos. Em dúvida: acabou, ou não acabou? Na dúvida, encaminham ao Supremo Tribunal Federal um pedido de habeas corpus preventivo, para Dantas e a irmã, Verônica.

Daniel Dantas morde a isca

Daniel Dantas morde a isca. Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e o amigo Hugo Chicaroni são os intermediários. A oferta é feita ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves.

Na churrascaria El Tranvia, bairro de Santa Cecília, São Paulo, o ensaio para o acordo final: US$ 1 milhão.

Como sinal, duas parcelas, uma de 50 e outra de 80, e pagamento em outras duas de US$ 500 mil. Encontros e acordos fechados em 18 e 26 de junho. Para livrar a cara dos Dantas.

Há algo no ar. Frases soltas.

Gilmar Mendes é o presidente do STF. No meio da semana, pós-São João, desponta nas telas, um tempão nos telejornais, nas manchetes do dia seguinte. Refere-se a informações vazadas por policiais, uma "coisa de gângsters" e ao "terrorismo lamentável".

A fala ecoa. Cada um entende como quer. Críticas gerais às interceptações telefônicas (mesmo às autorizadas judicialmente) .

Julho chegou. Fim de semana. Notas, boatos... Daniel Dantas está em Nova Iorque...Daniel Dantas aguarda o habeas corpus para voltar ao Brasil...

Sete de Julho. O delegado geral, Luiz Fernando Corrêa, que até a véspera nada sabia sobre a verdadeira extensão de Satiagraha, quer agora saber de tudo. De tudo, não saberá. Extrema tensão. Como há um mês, no Rio de Janeiro.

Agentes da equipe de Queiroz seguiam gente dos Dantas, pelas ruas do Rio. A polícia foi chamada, quase um confronto até o esclarecimento "somos da PF" e o despiste numa operação banal qualquer. Mas a queixa subiu.

Chegou ao diretor geral da PF, a Heráclito Fortes (DEM-PI) no senado e ao advogado geral da União, José Antonio Toffoli, adentrou o Supremo Tribunal.

Seis da manhã, 8 de julho. Avenida Viera Souto, Ipanema, Rio de Janeiro. Daniel Dantas está preso.

Furacão na mídia, por todo o dia. À noite nos telejornais e no dia seguinte, este 9 de julho, a repercussão.

Gilmar Mendes, o presidente do STF ataca a "espetacularizaçã o das prisões incompatível com o Estado de Direito", critica duramente o pedido de prisão, negado, contra a repórter da Folha de S. Paulo:

-...isso faz inveja ao regime soviético...

Frases soltas no ar.

Miriam Leitão, a comentarista econômica, também está no ar. Na rádio CBN, Miriam conversa com Carlos Alberto Sardenberg.

Meio dia e quarenta. Miriam diz não ter entendido direito porque Daniel Dantas foi preso. Afinal, constata, as acusações são inconsistentes, "coisas do passado", e é preciso que a Polícia Federal explique melhor porque fez essa operação "com tamanho estardalhaço. .."

Miriam se vai. Sardenberg chama os comerciais, não percebe que o microfone está aberto, e deixa escapar:

-...ela tava estranha, não?

Frases soltas no ar.

Daniel Dantas está preso. Esse, o policial, é mais um capítulo da operação que chegou aos intestinos do Brasil.


Fonte: Terra Magazine