sexta-feira, 27 de junho de 2008

PSOL faz convenção e lança Hilton para Prefeito no domingo, dia 29

O PSOL vai fazer a sua convenção no domingo de tarde, no SINTTEL, no bairro de Nazaré. Na ocasião, será lançada a candidatura de Hilton Coelho e cerca de 20 candidatos à vereança. Haverá um seminário para os candidatos a vereador e um ato político que será realizado às 16h.
A candidatura de Hilton Coelho é a única alternativa de esquerda e independente para Salvador, visto um cenário eleitoral onde todas as pré-candidaturas existentes já governaram a nossa cidade. Hilton Coelho é um militante socialista com bastante experiência e combatividade nos movimentos sociais - foi diretor do grêmio do ETEFBA (atual CEFET), diretor do DCE UFBA, é membro do Conselho de Ética do Movimento dos Sem Teto da Bahia, além de atuante no movimento sindical. Foi candidato a governador pela Frente de Esquerda nas últimas eleições.
O PSOL convida a todas e todos para participar deste importante momento para Salvador. Até a Vitória! Sempre!

Local: SINTTEL - Rua Bela Vista do Cabral, n. 247, Nazaré, no final da rua da Maternidade Climério de Oliveira

ACM, o Neto: a grande novidade, desde 1964!


ACM, o Neto, está querendo grampear na imagem do “novo”! Está fazendo o discurso de que é a grande novidade das eleições de 2008. Responsável consanguíneo pelo caos de Salvador, governou a cidade por 8 anos, junto com Imbassahy, de 1996 até 2004. Como se sabe, o candidato do DEM é filho do PFL e neto do PDS-Arena, mas, infelizmente, não foi o único que herdou certos métodos nocivos de fazer política.

Waleu a Wontade do Wice-Rei: Walter é o Walete, Lídice a Wice e Olívia Wereadora

Enfim, no final das contas, dos usos e das trocas, o Walor de troca e o Walor de uso se encontram. Está formada a chapa 2 de Lula e Wagner em Salvador. O PCdoB acabou aceitando apoiar a candidatura de Walter Pinheiro, o candidato do governo dos Eucaliptos e da celulose, do papel e do papelão (mas que papelão!!!). O PCdoB começou reivindicando a cabeça de chapa, mas o PT não deu. Aí, fez um acordo para ficar com Olívia na vice, mas o PT traiu e colocou Lídice da Mata (PSB). Tentou negociar o apoio do PT aos seus candidatos a prefeito em Alagoinhas e Juazeiro, mas o PT também não deu. Aí, tentou nacionalizar a negociação, reivindicando o apoio do PT à candidatura de Jandira Feghali no Rio de Janeiro. Imagine se o PT ia dar!!! No fim, ficou por isso mesmo e Olívia será candidata a Wereadora. As negociações, em reuniões com a presença do governador e do secretário de relações institucionais, foram todas feitas na governadoria, segundo a própria imprensa. A máquina do estado, que deveria ser pública, continua sendo usada, como nos velhos tempos carlistas, para transações privadas. E continua havendo uma pessoa que acaba impondo sua wontade ao seu partido e aos aliados.

Pré-candidato do PSOL defende rediscussão da dívida pública

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, deputado federal Ivan Valente, defende a rediscussão da dívida pública de São Paulo como uma das principais bandeiras de sua campanha. Segundo ele, a cidade gasta por ano R$ 2,2 bilhões (13% do Orçamento municipal) para pagar a dívida. "Se nós vamos querer discutir educação, saúde, transporte e moradia, nós temos que falar de onde vão sair os recursos", disse.
"Os governantes, geralmente, e os entes federados se abastardaram, ou seja, eles não usam o poder de fogo que têm na política. A cidade de São Paulo, se ela mexer na questão da dívida pública, ela chacoalha todo o sistema que o Pedro Malan [ex-ministro da Fazenda] criou para criar a exportação líquida de capital para pagar juros da dívida. A cidade de São Paulo é capaz de causar um tremor nas estruturas. Só que nenhum governante topa fazer isso, ou discutir esta questão com a sociedade. Se não, os bancos aqui da [avenida] Paulista e da [av. Luís Carlos] Berrini vão ficar muito agitados", disse Valente.Fundador do Partido dos Trabalhadores, ele deixou a sigla e se filiou ao PSOL em 2005 logo após a crise do mensalão. Professor, engenheiro, Valente, 61, cumpre o terceiro mandato na Câmara dos Deputados.Segundo o pré-candidato, esta será uma de suas principais bandeiras de campanha, juntamente com uma participação maior da sociedade nas decisões da administração pública. "Nós queremos discutir o planejamento participativo global, fazer um congresso na cidade e retomar a idéia de que a participação popular é vital para os rumos e para as prioridades da cidade", disse.Segundo a última pesquisa Datafolha, Valente tem 1% das intenções de voto. Nas eleições para a Câmara dos Deputados, em 2006, obteve 83.719 votos. Na campanha para a prefeitura terá cerca de um minuto no rádio e na TV para propaganda eleitoral gratuita. Mesmo assim ele afirma que irá para o segundo turno.
"Se tivermos espaço político para fazer o debate político e de propostas, o PSOL e a nossa candidatura têm todas as chances de crescer. Nossa luta é por espaço. Até agora, o que nós temos é captura por tempo de TV dos grandes partidos. Nós não temos a intenção de fazer aliança com qualquer um, partidos sem identidade programática, política e ideológica, apenas pelo fisiologismo. Nós temos o que falar para a sociedade", disse.O PSOL deve fechar aliança com PSTU e PCB, partidos que apoiaram a candidatura da ex-senadora Heloísa Helena ao Palácio do Planalto. Valente afirmou que o partido prepara um plano de governo para a cidade que incluirá propostas para saúde, educação, transporte e ambiente, entre outros temas. Outra discussão de sua campanha será sobre como o cidadão vai se apropriar da cidade."A cidade está privatizada. O estímulo ao consumismo e à apropriação do espaço público por uma minoria é mais que evidente. Está aí o problema do trânsito. Chegou a um colapso. O PSDB, o PT e o DEM algum dia falaram que não iam dar subsídios à indústria automobilística? Ninguém vai falar isso para a indústria automobilística. O PSOL vai. Os automóveis não podem continuar ocupando 70% do espaço da cidade, envenenando a população. Nós criamos uma fábrica de veneno", disse.Valente afirma que não há uma solução para o trânsito de São Paulo, mas aponta investimentos no transporte público de massa com um rumo. "Quem na campanha disser que tem uma proposta que vai solucionar o trânsito de São Paulo é um mentiroso", afirma.

Fonte: UOL Notícias, 06/06/2008 - 16h55

Entre o longo passado e o curto futuro, Por Paulo Fábio Dantas Neto

Numa reflexão sobre o tempo, a história e a política, Hannah Arendt sugere que o presente é o momento e a posição criados pelo homem ao inserir-se no tempo para preencher uma lacuna entre o passado e o futuro. O peso da tradição e a tirania dos projetos e ambições atuariam em paralelo, e simultaneamente, para constranger o agir humano, ao qual não restaria, para manter sua condição criadora, outra chance senão encontrar uma diagonal pela qual saltasse por cima da linha de embate entre passado e futuro, embate que é um dilema kafkiano. Essa diagonal é a condição da intervenção do homem no tempo histórico numa perspectiva verdadeiramente política, isto é, criadora do presente.
A lembrança e a interpretação livre do texto da filósofa alemã vieram a propósito da atitude política assumida pelo Governador Jacques Wagner na convenção do PMDB de Salvador que homologou a candidatura do atual prefeito à reeleição. Convenço-me de que o governador ainda não achou a sua diagonal. Com olhos presos ao retrovisor e pensamento fixado no horizonte de 2010 traçou uma linha reta que quer atropelar o presente e tentar repetir, em 2008, o plebiscito que há quatro anos elegeu João Henrique.
O desejo de juntar, indiferenciadamente, os candidatos da “base” do governo contra ACM Neto reitera o bordão de 2004, quando os candidatos da então oposição confundiram-se, em tom pastel, contra César Borges. Mas, para além desse anacronismo que contradiz o discurso de renovação da política baiana, é preciso ver que na fala do governador também houve a preocupação habitual de impedir que fluam, antes de 2010, o conflito próprio do tempo de transição que vive a elite política baiana e a pluralização política que dele decorreria. A “necessidade histórica” da reeleição levanta-se como sombra a nublar as identidades políticas. Ao lado dela, outra necessidade “histórica”, também datada em 2010: alimentar regionalmente o centauro de duas cabeças e corpo difuso que se tornou a “base” do governo Lula.
Pode-se contra-argumentar, com alguma razão, que o zelo do governador para com seus aliados da situação municipal da capital deve-se a preocupações do presente com a “governabilidade” do Estado, em destaque a correlação de forças na Assembléia Legislativa. Mas tal contra-argumento é limitado quando se sabe que, na capital, numa queda de braço entre PT e PMDB, ao segundo seria mais seriamente avisado que se comedisse, pois não se precisa de muito para saber que o ministro Geddel depende mais do governo federal do que dependem dele ambos os governos (federal e estadual) juntos. Não é principalmente de governabilidade que se trata, mas de alianças eleitorais futuras.
O presente em Salvador é a decisão sobre o destino do seu governo. Este o conteúdo político substantivo, se pensamos política como coisa pública, não como arena de um jogo corporativo. O que têm a nos dizer as elites políticas sobre isso? Será bom conselho trocar o cenário de uma disputa aberta, no primeiro turno, entre quatro campos reais da política da capital por um plebiscito abortivo que pode amontoar três desses campos num lado só em nome da volta a uma contenda maniqueísta que se teima em não enterrar? O eleitorado soteropolitano, faminto de urna, será vítima, outra vez, de uma blitz dietética sobre o seu cardápio político-eleitoral?
Espera-se mais do governador que tomou a si a missão renovadora. Não se questiona o seu comparecimento à convenção do PMDB, mas o seu discurso. Em vez de declarações sobre uma comunhão de vísceras entre si e o grupo anfitrião bastaria uma sóbria exposição do óbvio: o governador tem responsabilidade de não hostilizar aliados nem permitir que a máquina do governo seja instrumentalizada por qualquer candidatura. Mas também tem partido e com ele votará, conforme a grande política. Em outras palavras, bastaria que o governador fizesse suas recentes palavras do próprio ministro Geddel e lembrasse aos incautos que entre o PMDB e o governo petista há aliança, não fusão. Dizendo o que disse, sente-se cheiro de pequena política rarefazendo o ar. Faz o dever de casa para a sucessão de Lula e para a sua própria reeleição. Mas que será de sua liderança política no pós-Lula, quando assentar a poeira de agora? É imenso o risco das pequenas habilidades de hoje serem deitadas ao chão, com a poeira.
O parto a fórceps da candidatura do deputado Walter Pinheiro resulta desse embate entre passado e futuro. O possível discurso do candidato é esvaziado no prelo, pelo do governador. Pois que sentido haverá na candidatura se prevalecer a idéia de que tanto faz qualquer resultado, desde que se derrote ACM Neto?
Diz a turma do deixa-disso ser bom esperar o que Wagner dirá nas convenções dos demais aliados. Aposta-se na sabedoria verbal do conjunto das falas, da qual não duvido. Mas creio que para as eleições e a saúde política de Salvador melhor é prestar atenção na reação dos prejudicados pelo discurso continuísta do governador. Fará toda a diferença se, numa primeira hipótese, Pinheiro, o PT e os partidos aliados vestirem a carapuça de contrariados e realizarem uma campanha diferenciada, de modo a levarem Wagner a um reposicionamento; ou se, numa segunda hipótese, acomodarem-se ao script e buscarem, cada qual, seu quinhão na futura prefeitura, ou nas chapas de 2010, como cachês políticos pela encenação de um novo plebiscito. A diferença entre as duas hipóteses refletirá nos ônus e bônus que a cidade receberá de suas elites políticas, nos próximos quatro anos. Os últimos quatro terão bastado como lição?
Salvador, 17 de junho de 2008
Professor de Departamento de Ciência Política, pesquisador e atual Diretor do CRH/UFBA

Romper o cerco e politizar a eleição, Por Afrânio Boppré

Qual a estratégia do PSOL para a campanha eleitoral de 2008? Esta importante pergunta deve ser respondida a luz de uma definição mais precisa do ponto de vista conceitual. Estratégia é caminho, que se trilhado, acreditamos reunir condições de nos fazer chegar a um determinado objetivo.
Quando se trata de política, este caminho contém elementos de certeza, mas também é farto em incertezas, armadilhas e imensas dificuldades.
Portanto, nenhuma estratégia é pronta e acabada. No decorrer do percurso haverá múltiplas necessidades de responder taticamente. Logo, toda tática está subordinada a uma estratégia e toda estratégia subordinada ao seu objetivo. Sendo assim, devemos nos perguntar também, quais os objetivos do PSOL para as eleições de 2008?
É certo que os setores dominantes tentarão construir uma falsa bipolarização entre duas alternativas confiáveis para si. Uma espécie de estadunização (EUA) da política brasileira (democratas versus republicanos e oposição de direita versus lulo-petismo), sendo que para o PSOL, a depender da vontade da classe dominante, está reservado o ostracismo e a marginalização. No entanto, é bom frisar que a burguesia não tem controle absoluto sobre o jogo político e, no cenário latino-americano, por exemplo, vem acumulando sucessivas derrotas.
Neste sentido, fica claro que um dos objetivos do PSOL é romper o “cerco” da classe dominante sem, contudo, a ela se submeter.
O PSOL encontra-se diante de grandes desafios que poderão converter-se em objetivos com respectivas estratégias: assumir-se nacionalmente enquanto partido; negar sua “folclorização”; constituir-se enquanto pólo aglutinador da esquerda socialista no país; difundir o socialismo, dentre outros. Todos eles trazem consigo um tema que é transversal, ou seja: a escala. Os geógrafos sabem da importância das escalas. Na cartografia, por exemplo, ao escolher a escala 1/20.000 se consegue visualizar determinadas coisas e se perde outras. Já quando se escolhe 1/5.000 o resultado é outro.
Tudo é uma questão de opção que está vinculada com o interesse e os objetivos. Neste momento estamos diante do debate entre escala nacional ou municipal da eleição. O lulo-petismos, confiante nos índices de popularidade de Lula, já deu sinais claros de que pretende nacionalizar e a oposição de direita escolheu a escala municipal e o PSOL?
Vejam! O nacionalizar do petismo é um apelo plebiscitário entre as opções de governo FHC e Lula; entre o debate de qual neoliberalismo fez mais; sobre a banalização da corrupção; sobre a política econômica “segura e confiável” e a farsa do PAC. Já o DEM, e o PSDB vão discutir os problemas municipais sem vinculá-los ao nexus causal do sistema capitalista (violência, trânsito, desemprego, saúde, educação etc.).
Minha opinião, que está aberta ao debate, é a de que o PSOL deve ser flexível às escalas. Nacionalizar e municipalizar sempre com o firme objetivo de politizar o debate e esclarecer o que vem a ser efetivamente esquerda no Brasil de hoje. Politizar e romper o cerco.
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Afrânio Boppré Membro da Executiva Nacional e Presidente PSOL/ SC