domingo, 11 de maio de 2008

Lá e Cá: Repressão de Todos Nós!

É muita “coincidência”! No Pará, o slogan do governo estadual (Ana Júlia, PT) é “Pará, Terra de Todos”. Aqui, o slogan do governo (Jaques Wagner, PT-PMDB-PSDB- PCdoB-PTB- PSB-PP-PPS- PR-PV-PSC- PDT-ETC) é “Bahia, Terra de Todos Nós”.

Lá, a governadora, agora em 2008, acabou de reprimir violentamente a greve dos professores. Aqui, o governador já tinha demonstrado sua rejeição ao professorado do estado desde 2007 quando, além de não atender as reivindicações, também criminalizou o movimento e entrou na justiça e ameaçou de prisão o presidente do sindicato. Vejam, a seguir, a nota no PSOL-Pará.

NOTA DO PSOL – PARÁ

1. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), no Pará, manifesta seu mais veemente repúdio à repressão policial que se abateu na manhã de hoje, 9, sobre uma manifestação pacífica de centenas de professores e servidores da rede estadual de ensino, em greve há 17 dias por reajuste salarial e por efetivas melhorias na caótica situação da educação pública paraense.

2. Sob ordens diretas da Casa Civil da governadora, a tropa de choque da PM investiu com extrema violência contra os servidores que interditavam naquele momento a rodovia Augusto Montenegro, em frente ao Palácio dos Despachos, em Belém, exigindo que as negociações com as autoridades do governo fossem retomadas. Ao invés de abrir negociação com os manifestantes e respeitar o direito constitucional de greve dos servidores públicos, a governadora Ana Julia (PT) preferiu trilhar o caminho do ataque frontal a uma categoria que nas últimas três décadas forjou a mais importante e representativa entidade sindical dos servidores públicos, o Sintepp.

3. Este fato ficou evidenciado não somente das cenas de truculência da PM espancando educadores em plena via pública, como já se manifestara desde a última quarta-feira quando o governo do Estado ingressou com uma ação na Justiça para tentar colocar a greve na ilegalidade e forçar o retorno ao trabalho, sob pena de pagamento diário de uma absurda multa de R$ 100 mil.

4. O PSOL expressa sua integral solidariedade aos trabalhadores em educação, pois reconhece como legítimas suas reivindicações. E, nesta oportunidade, exige da governadora Ana Julia o imediato abandono da postura repressiva, autoritária e truculenta, que tem servido para expor a abissal distância entre seu discurso e sua prática cotidiana. O único caminho para superar o atual impasse é o retorno do governo à mesa de negociação, no contexto do absoluto respeito ao direito constitucional de greve e à liberdade e autonomia sindical.

Belém, 09 de maio de 2008

Araceli Lemos
Presidente do PSOL - Pará

Era uma vez ... um doutorzinho racista

Perfeito, esse é o único adjetivo com o qual podemos descrever as atitudes, falas e silêncios que o coordenador do curso de Medicina da UFBA (Universidade Federal) nos presenteou ao comentar o resultado do ENADE (Exame de Desempenho dos Estudantes), que bom que mais e mais baianos e brasileiros estão assumindo o que de fato pensam sobre o povo baiano. Isso é muito bom por não nos deixar dúvida sobre o que pensa essa elite sobre os baianos. Espero que este DOUTOR seja um bom exemplo para que os outros RACISTAS também saiam dos seus armários transparentes e mostrem realmente o que pensam pelo menos para aqueles que ainda preferem viver na fantasia da democracia racial, para as pessoas que sentem na pele, no olhar, nos gestos, o desdenho, as expressões de nojo, o olhar de superioridade, o gesto que afasta, para estas pessoas os racistas jamais se esconderam.

O bom de tudo isso é que o doutorzinho só reafirmou uma histórica trajetória de racismo nas instituições públicas e a prática de exclusão dos negros dos seus espaços. Mais interessante ainda é que a fala do “médico” pode ser deslocada para um período entre o fim do século 19 e início do século 20, nesse período muitos intelectuais brasileiros tentavam explicar a suposta inferioridade dos brasileiros, a não inserção dos brasileiros no mundo dos civilizados. Esses intelectuais chegaram a conclusão de que a responsabilidade pela inferioridade do Brasil era do negro e o mestiço era o inferior por excelência, era o degenerado, era selvagem, era violento e que possuía “Quociente de Inteligência inferior” e que “só toca o berimbau porque só tem uma corda”. Para Silvio Romero, a raça “ariana, ao reunir-se no Brasil com negros e com índios, proporcionou a formação de uma sub-raça mestiça e crioula, distincta da Europa”.[1]

Vejamos o que Claude Ferrere, uma articulista do Diário da Bahia em 1929 afirmava sobre os negros e sua capacidade de aprender. Não é que 79 anos depois ainda tem “gente” que busca informações nas velhas ciências racistas.

a raça negra é muito inferior á raça européia. Os negros tornam-se homens muito cêdo, mas o seu desenvolvimento pára também muito cedo. Estudei muito esta questão nas escolas da África. Um menino negro de 6 anos, é tão adiantado como um branco de dez anos. Na escola, os negros são os melhores alunos... mas quando chegam aos quinze ou dezesseis anos o seu desenvolvimento se detem e não se nota mais progresso. O seu pensamento é simplista, a sua philosophia, a sua arte e a sua literatura são muito primitivas. É possível que sejam superiores aos brancos sob o ponto de vista das forças physicas, mas isso não é tudo. Não apresentam perigo algum e não são adversários dos brancos. A questão é muito importante, pois vivemos em um século em que se discute muito sobre a igualdade dos povos e das raças.[2]

Quando um “médico”, coordenador de um curso de Medicina, numa Universidade, uma Universidade Pública, afirma que os baianos não são inteligentes ele reflete o pensamento não só das elites baianas, mas das elites brasileiras que acreditam piamente que são inferiores a europeus e norte-americanos e os responsáveis por isso são os negros e os mestiços.

É bom que mais e mais racistas se assumam, que reivindique a superioridade dos brancos. Dessa forma os nossos inimigos ganham melhores contornos e teremos menos dúvidas de quem acertar. Nessa guerra as maiores baixas estão do nosso lado, e estão nos presídios, nos cemitérios, nos hospitais públicos que mata os nossos, nos postos de saúde, nas escolas públicas, somos nós mulheres negras, os nossos jovens e as nossas crianças.

Por Acotirene, Dandara, Luiza, Lélia, Rosa, Marias, Anas, Joanas, Antonias e tantas outras lutadoras e lutadores que morreram lutando por uma sociedade mais justa. Por elas e por nós.

Cauô Cabiêsilê

Meire Reis


[1] Diario de Noticias, 16/12/1910, P.7.

[2] Diario da Bahia 23/07/1929 p. 1.

PSOL da Bahia repudia as declarações racistas

A Bahia tomou conhecimento no dia de hoje das declarações absurdas do professor Antonio Dantas, coordenador do Curso de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), dizendo que a nota da faculdade no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) se deve ao "baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos", e que "o resultado mostra a baixa inteligência dos alunos". Ele ainda acrescentou que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado "por quem convive com os baianos".

Se não bastasse, foi adiante e declarou que "O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais cordas, não conseguiria" . Ele acha que isto é franqueza e que "reconhece a limitação dos que o cercam". Ou seja, ele acha que nós baianos somos burros por natureza, apesar de se achar muito esperto!

Este tipo de declaração, nitidamente preconceituosa e racista, não pode ficar incólume. O referido professor, parece ainda hoje defensor das "teorias racialistas", que nos séculos XIX e XX fundamentaram o chamado "racismo científico" base de movimentos de extrema direita cuja maior expressão foi o nazi- fascismo. Na Bahia, tais referências vitimaram profundamente o nosso povo, particularmente os afro-descendentes que tiveram sua cultura, religião e vida social violentamente reprimidas, sob o argumento de sua suposta inferioridade racial. É estarrecedor que este tipo de mentalidade continue tendo espaço em nossa sociedade e na comunidade acadêmica.

O PSOL da Bahia vem a público protestar vigorosamente contra este atentado contra nosso povo e nossa cultura, ao tempo em que exige providências imediatas das instâncias da UFBA. Uma pessoa que dá declarações racistas deste tipo não tem condições de ocupar um cargo de direção e nem mesmo de professor, ou seja, responsável pela educação de nossa juventude, especialmente sendo ele coordenador do Curso de Medicina mais antigo do Brasil, fundado há mais 200 anos.

Marcos Mendes
Presidente do PSOL-Bahia / - Partido Socialismo e Liberdade

Circulo Palmarino protesta contra declarações racistas

O Circulo Palmarino, Corrente Nacional do movimento Negro brasileiro vem a público protestar vigorosamente contra as declarações absurdas do professor Antonio Dantas, coordenador do curso de medicina da UFBA (Universidade Federal) tenta contra o nosso povo e nossa cultura.

Em entrevista à Sucursal de Brasília do Jornal Folha de São Paulo o Coordenador de curso imputou o fraco desempenho da Faculdade de Medicina no ENADE (Exame de Desempenho dos Estudantes) ao "baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos". O fato mais extraordinário é que além de discriminar o povo baiano creditou tudo a nossa herança cultural, quando na mesma entrevista afirmou que o suposto baixo QI dos baianos ser hereditário e facilmente "verificado por quem convive com os baianos". O seu preconceito adquire contornos racistas quando na mesma nota diz que o "baiano toca berimbau porque só tem apenas uma corda", com a intenção de relacionar o fato a nossa herança afro-descendente.

É lamentável que em pleno século 21 ainda continuemos a ouvir e a ler estes discursos de contornos eminentemente racistas e, não por coincidência oriundo do campo da medicina. Na história da Bahia e particularmente na imprensa baiana entre o fim do século 19 e inicio do século 20, este tipo de discurso era recorrente para justificar o baixo índice de desenvolvimento econômico e social do Brasil frente às potencias européias, e revelou uma nítida tentativa de responsabilizar o povo negro por este suposto descaminho. É impressionante como o pensamento do professor comunga com um outro médico radicado na Bahia, Nina Rodrigues e com Silvio Romero e Oliveira Viana e outros "sábios" que chegaram a conclusão que o baiano precisava "evoluir" até ser considerado civilizado. Segundo Silvio Romero em uma nota publicada pelo Diário de Noticias de 1910, afirmou que "a raça ariana ao se reunir no Brasil com negros e com índios, proporcionou a formação de uma sub-raça mestiça e crioula, distincta da Europa" (Diário de Noticias, 16/12/1910 p.07).

Este tipo de declaração, nitidamente preconceituosa e racista, não pode ficar incólume. É estarrecedor que este tipo de mentalidade continue tendo espaço em nossa sociedade e na comunidade acadêmica.

Queremos não só registrar o nosso protesto, mas concordar com todos aqueles que acreditam que uma pessoa que tem a desfaçatez de expor declarações racistas como estas não tem condições de ocupar um cargo de direção e nem mesmo ser professor, ou seja, responsável pela educação de nossa juventude, especialmente sendo ele coordenador do curso de medicina, considerado o mais antigo do Brasil, fundado há 200 anos.

Circulo Palmarino

Salvador, Bahia, 1º de Maio de 2008.